Quantas seções fecharam antes das 19h: o levantamento que ninguém fez!
Denise Morais — Redação/Salvador Notícias
A prorrogação da votação até as 19h determinada pelo Supremo Tribunal Federal não alcançou boa parte das seções eleitorais do país: quando a decisão chegou, muitas já tinham encerrado, transmitido os resultados e dispensado os mesários. E, uma vez fechada, a urna não pode ser reaberta.
O ministro Cristiano Zanin decidiu a prorrogação por volta das 17h03. Antes das 18h, esclareceu que a medida valia só para as urnas ainda abertas. Às 17h49, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, encaminhou ofício aos TREs orientando que as seções que ainda estivessem funcionando seguissem até as 19h — o documento não previu reabertura em nenhum caso.
No Distrito Federal, o TRE confirmou que dezenas de seções encerraram, enviaram os resultados e liberaram mesários antes de receber aviso oficial. O tribunal informou que soube da decisão pela imprensa e que, se tivesse sido comunicado com uma hora de antecedência, daria tempo de avisar mesários e presidentes de seção. Até as 17h06, 37 das 6.969 seções do DF já haviam sido computadas, com 8.982 votos válidos registrados.
No Paraná, o TRE informou que 87,4% dos locais de votação estavam encerrados quando a decisão chegou. Em Goiás, colégios fecharam às 17h em Goiânia, Itumbiara, Luziânia e Jataí. No Rio Grande do Norte, a maioria das seções encerrou no horário original. “Quem fechou, fechou”, resumiu a presidente do TRE-RN, Martha Danyelle.
Em São Paulo, mesários relataram que urnas já tinham sido recolhidas e cabines desmontadas em escolas da capital antes da orientação. O TRE-SP afirmou que todas as zonas eleitorais foram cientificadas e que os votos registrados serão integralmente computados.
Segundo o TSE, 1.225 seções em todo o país chegaram a ter votos para presidente apurados antes de a totalização ser paralisada. Não há levantamento de quantos eleitores deixaram de votar por causa do encerramento antecipado — o que abre espaço para questionamentos sobre o alcance real da prorrogação. Antes da decisão do STF, o Ministério Público Eleitoral havia se manifestado contra a medida, em parecer assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa.
Crédito: Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Legenda: Eleitores votam na EMEF Celso Ribeiro Leite Filho, na Bela Vista, em São Paulo, no segundo turno





