Debate da Globo divide analistas e repercute no exterior na véspera do 2º turno
O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado na noite de sexta-feira (23) pela TV Globo, não produziu consenso entre analistas sobre quem saiu melhor. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi mediado por César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio, e teve quatro blocos.
Analistas divergem
Levantamento da BBC News Brasil ouviu quatro especialistas, com conclusões diferentes. O professor Eduardo José Grin, da FGV, viu pequena vantagem do presidente e avaliou que Lula “ganhou os indecisos”. Já a professora Denilde Holzhacker, da ESPM, apontou pequena vantagem do senador, citando o esforço em apresentar propostas e o melhor controle do tempo.
O cientista político Murilo Aragão, da Arko Advice, também viu vantagem do senador, que teria conseguido explorar o desgaste do governo e apresentar mais propostas. Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, não houve superioridade evidente de nenhum dos dois: “Foi um debate que não gerou grandes ondas, nem para um lado e nem para o outro”.
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Segundo o agregador de pesquisas da BBC, o senador está três pontos percentuais à frente nas intenções de voto. O Datafolha divulgado na quinta-feira (22) mostrava os dois com 50% dos votos válidos.
Repercussão internacional
A imprensa estrangeira destacou a diferença de postura entre os candidatos. O espanhol El País avaliou que Lula começou cauteloso, mas terminou assumindo o controle e colocando o adversário na defensiva — sobretudo no debate sobre segurança pública, quando questionou o senador sobre sua atuação como advogado de um policial acusado de matar uma menina de 5 anos em Niterói, em 2021.
O francês Le Monde descreveu o senador como mais comedido e o presidente como mais ofensivo, e apontou que a referência do senador aos “nove dedos” de Lula acabou se voltando contra ele, depois que o presidente relacionou o acidente de trabalho à trajetória dos trabalhadores brasileiros e exigiu um pedido de desculpas, que foi feito.
A agência France-Presse destacou que o tom foi mais diplomático que no primeiro encontro, na Band, embora as provocações tenham continuado. A Reuters registrou que os dois trocaram acusações sobre custo de vida, segurança e corrupção. Também repercutiram o debate a AP, o argentino La Nación e o português Observador.
Colunistas
No Brasil, a leitura também foi dividida. O colunista Igor Gielow, da Folha de S.Paulo, avaliou que Lula venceu “por pontos” em um debate mais civilizado. No UOL, João Paulo Charlaux falou em vitória de “2 a 1”, enquanto José Roberto de Toledo não viu nada decisivo para nenhum dos lados e Letícia Casado considerou o presidente melhor que o adversário.
No Valor Econômico, César Felício apontou que Lula não conseguiu escapar “da armadilha do incumbente”: defendeu o legado do governo, mas falou pouco sobre o futuro.
Na CBN, o comentarista Pedro Doria foi direto: “Esse debate não virou voto”. Para ele, nenhuma das eleições que acompanha desde 1998 chegou a uma véspera de votação sem palpite sobre o vencedor. A cientista política Denilde Holzhacker ponderou que o pós-debate pode ter mais efeito sobre os indecisos do que o próprio confronto.
Denise Morais — Salvador Notícias
Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil





