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Trump pesa “grande decisão” sobre o Irã

Trump pesa “grande decisão” sobre o Irã, petroleiros são atacados no Golfo e ONU acusa EUA de crimes de guerra
Por Denise Moraes
O Oriente Médio vive uma nova e perigosa escalada. Enquanto os Estados Unidos e o Irã trocam ataques no Estreito de Ormuz e a ONU aponta indícios de crimes de guerra cometidos por forças americanas, o presidente Donald Trump admite que tem uma “grande decisão” a tomar sobre o futuro do conflito, que já dura mais de seis meses.
Trump admite decisão difícil
Em comício no Texas, Trump afirmou que seu objetivo é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, mas declarou que ainda não tomou uma decisão sobre uma possível intervenção militar de grande escala. O presidente disse preferir uma saída pacífica, mas classificou os iranianos como “pessoas muito difíceis”.

“Temos uma grande decisão a tomar. Vocês sabem disso. Não é fácil. Temos um país que, há 47 anos, vem explodindo pernas e braços de pessoas, a sua cara. Eles têm afundado navios, matado pessoas, muitas pessoas. Não só americanos, muitas pessoas”, declarou Trump, segundo reportou a agência Pravda.

Negociações mediadas por Omã seguem em curso, mas o presidente demonstrou insatisfação com a ausência de um texto final. A chanceler de Omã, Badr Albusaidi, afirmou que o Irã concordou em “jamais acumular material nuclear capaz de ser usado em uma bomba” e em permitir o retorno de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com acesso total às instalações nucleares.

Maior onda de ataques à navegação
No mar, a situação se deteriora. O Irã anunciou ter atacado 10 navios perto do Estreito de Ormuz, depois que os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos — na maior onda de ataques recíprocos contra a navegação desde o início da guerra, em fevereiro. Os ataques fizeram o preço do petróleo Brent ultrapassar os US$100 por barril pela primeira vez desde julho, e o preço médio do diesel nos Estados Unidos atingiu um recorde histórico acima de US$5,94 por galão.

Os americanos classificaram a operação como resposta a ataques da Guarda Revolucionária contra navios de guerra da Marinha dos EUA. “O Irã continua tentando atingir navios da Marinha dos EUA e, cada vez que fizerem isso ou tentarem, perderão petroleiros”, disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O Irã também disparou mísseis balísticos contra uma base usada por forças norte-americanas na Jordânia.
Teerã praticamente interrompeu o tráfego pelo estreito, por onde passava um quinto do petróleo e do gás consumidos mundialmente antes da guerra.

ONU acusa EUA de crimes de guerra
Nesta quinta-feira (17), uma missão de investigação da ONU afirmou ter “motivos razoáveis” para acreditar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra em dois ataques aéreos no primeiro dia do conflito, em 28 de fevereiro.

O primeiro ataque, com mísseis Tomahawk, atingiu a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do Irã. Mais de 150 pessoas morreram, entre elas cerca de 120 crianças. Segundo o relatório, a escola era um alvo civil “claramente identificável” e os EUA direcionaram o ataque ao prédio mesmo cientes do risco de atingir civis.

O segundo ataque atingiu um complexo esportivo em Lamerd, matando e ferindo 22 civis e danificando prédios residenciais próximos. Os investigadores concluíram que ambos os ataques foram indiscriminados e configuraram crimes de guerra segundo o direito internacional.

A Casa Branca negou as acusações. A porta-voz Anna Kelly afirmou que o Conselho de Direitos Humanos da ONU “não fez nada pelos direitos humanos” e que o Irã foi a única parte do conflito a cometer crimes de guerra.

O relatório de 18 páginas também concluiu que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão aos protestos iniciados no fim de dezembro, com mortes em “escala impressionante”, uso de força letal contra multidões, tortura, detenções arbitrárias e pena de morte. Os investigadores exigiram que EUA, Israel e Irã “interrompam imediatamente as hostilidades”.

O documento será apresentado na próxima segunda-feira (21) ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

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