Só se fala nisso: Salvador amanhece tomada por santinhos no dia seguinte ao 1º turno.
A cidade acordou nesta segunda-feira (5) com calçadas e entorno de colégios eleitorais cobertos de santinho e resto de campanha — somados à garrafa, à lata e ao entulho que a população já reclamava. Equipes de limpeza foram acionadas desde a madrugada.
O derrame deste ano teve mutirão adiantado: o presidente do TRE-BA, Maurício Kertzman Szporer, afirmou que mais de 3 toneladas de santinhos foram recolhidas só em Salvador ainda no domingo (4), com tudo registrado. O material vai para associações de reciclagem, e quem derramou responde ao Ministério Público Eleitoral, com multa.
A Limpurb montou operação de estilo Carnaval e Réveillon: mais de 1,5 mil agentes, cerca de 800 em 34 equipes especiais, caminhão-pipa e apoio de cooperativas. “O ponto alto do trabalho é no pós-eleição, na segunda-feira, para que a cidade amanheça limpa”, prometeu o diretor de Operações, Augusto Farias. Papel molhado e sujo, porém, não tem reaproveitamento: vai direto pro aterro.
E derramar santinho é crime eleitoral: multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil e detenção de seis meses a um ano, lembra o . Placa e faixa também não ficam eternas: a propaganda física tem de sair da rua em até 30 dias — e a cartilha do TRE aponta 25/10 como data-limite. Mesmo dia do 2º turno. Ou seja, a rua nem vai respirar.
Pra comparar: na eleição municipal de 2024 foram recolhidas 165 toneladas de material eleitoral; em 2020, 150.
E o pano de fundo, que é o que mais dói: em 2025, mais de 892 mil toneladas de lixo domiciliar foram enterradas no aterro da cidade sem coleta seletiva — componente previsto em contrato e nunca ativado, aponta o MP-BA, que citou ainda 16 cooperativas de catadores cadastradas sem contratos.
Pra pedir limpeza na tua rua: Fala Salvador, 156.
Denise Morais — Redação





