Bullying nas escolas: quatro em cada dez adolescentes já sofreram, e registros crescem 67% no país
Quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sofrido bullying na escola. É o que mostra a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, divulgada em março deste ano: 39,8% dos adolescentes relatam ter passado por essa situação. Entre as meninas, o índice é ainda maior — 43,3%, contra 37,3% entre os meninos.
A aparência do rosto ou do cabelo foi o principal alvo das agressões, apontada por 30,2% dos estudantes. Em seguida vêm a aparência do corpo (24,7%) e a cor ou raça (10,6%). Em 26,3% dos casos, os alunos dizem que o bullying não teve motivo aparente. A pesquisa também revela que 16,6% já foram agredidos fisicamente por colegas e que 13,7% admitem ter praticado bullying contra outros estudantes.
Os registros policiais também dispararam. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 5.226 ocorrências de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes em 2025 — sendo 4.549 de bullying e 677 de cyberbullying. O número representa alta de 67,3% em relação aos 3.161 casos de 2024, o maior crescimento entre todos os indicadores de violência contra crianças e adolescentes analisados pela publicação.
Os dados se concentram a partir dos 10 anos de idade. As maiores taxas aparecem entre crianças de 10 a 13 anos (21,0 por 100 mil) e adolescentes de 14 a 17 anos (19,9 por 100 mil). O cyberbullying tem pico aos 14 anos, quando cresce a presença dos jovens nas redes sociais.
Desde 2024, o bullying e o cyberbullying são crimes previstos no Código Penal. A Lei nº 14.811/2024 tipificou a “intimidação sistemática” no artigo 146-A: o bullying é punido com multa, e o cyberbullying, com reclusão de 2 a 4 anos, além de multa. A lei também prevê medidas de proteção nas escolas e protocolos de prevenção.
Apesar disso, as escolas ainda patinam na prevenção. Dados do Saeb mostram que 67,5% das escolas relataram episódios de bullying ao longo do ano letivo de 2023. E, segundo o IBGE, apenas 43,2% dos alunos estudavam em unidades que realizaram ações específicas de prevenção ao bullying.
Denise Morais — Salvador Notícias
Foto: Reprodução/Agência Brasil





